A filha da minha mãe e eu.

Oi meninas! Saudade de vocês! Essa foi minha primeira postagem lá no Barriguda... mas resolvi trazer pra vocês também! =)
Se não gostarem da vibe mamãezística é só falar que não posto mais esses temas aqui, hein?
Beijoooos,
Lud

Tirei o título dessa postagem de um livro que li meses atrás.. olhando pra trás vejo que ter comprado esse livro foi um dos meus primeiros passos rumo a maternidade. Eu amo ler, comprar livros pra mim não é novidade, mas quando me deparei com a sinopse desse livro, algo dentro de mim se identificou totalmente...

(...)Quando vi as duas listras azuis no teste de gravidez, tive uma certeza: preciso me sentir filha antes de me tornar mãe. Porque uma parte da minha alegria era inventada e, a outra, não era minha.(...)

E é exatamente assim comigo. 
Esse é meu primeiro post nesse blog que pretende ser meu diário como (futura) mãe e nada melhor que me apresentar, no entanto, mais que dizer que me chamo Ludmila, tenho 27 anos - até dia 21 do mês que vem, sou casada há 1 ano com o Marcos, o japonês mais lindo do mundo, sou servidora pública, moro em Brasília, adoro chocolate, pipoca e manga verde; preciso dizer que não conseguiria me construir como mãe sem primeiro me entender como filha, como a filha da minhã mãe.
Assim como no livro, existem duas Ludmilas: a filha da minha mãe e eu. E sim, eu sou as duas!
Minha relação com minha mãe é tão complexa que eu não sei se conseguirei me fazer entender... é de um amor imenso, de culpa, de dor, de lágrimas e de sorrisos... é da presença constante de uma falta, é de cuidado e de compaixão.
Minha mãe foi absurdamente carinhosa comigo, e absurdamente ausente também... foi meiga e relapsa, foi incentivadora e distante... como explicar? Não sei, mas sei que agora que quero ser mãe eu começo vê-la com outros olhos... com quais? Não sei.
Eu demorei - e ainda estou nesse processo - a me ver como "eu mesma" e não como a filha da minha mãe. Deve estar confuso para vocês entenderem, isso tem gerado anos de análise... mas o fato é que minha ligação com minha mãe é assim mesmo, simplesmente confusa!
Vou tentar ser didática, explicar algumas coisas... minha infância foi relativamente comum até meus 5 anos de idade, quando meu pai cometeu suicídio, deixando minha mãe viúva aos 27 anos e com duas filhas (minha irmã Lory com 8 anos e eu com 5). Minha mãe surtou, passando de uma depressão profunda para curtir a vida adoidado como se não houvesse amanhã, nisso ela se tornou alcoólatra e por aí vocês já podem imaginar minha infância.
Minha mãe bebia muito, ficava longe de casa, se envolvia em relacionamentos desastrosos, não tinha responsabilidades... e quando estava em casa me colocava pra dormir com cafuné na cabeça e nas costas, fazia bolo nega maluca e leite com Nescau pra mim, contava histórias, brincava e dengava... Minha mãe não me batia, minha mãe sempre me dizia que eu conseguiria tudo a que me propusesse, minha mãe me dizia que me amava e me beijava. E minha mãe gastava todo o dinheiro da nossa pensão com bebidas, e me deixava doente com minha avó cuidando, saia para buscar remédio e não voltava mais, nunca me perguntou aonde eu ia, nem quando chegava, nem me chamou pra tomar banho ou almoçar, nunca se preocupou com quem eu andava, nem com o que eu comia. E eu nunca dei trabalho. Passei para uma universidade federal aos 17 anos, sempre trabalhei, estudei, não bebia, nem fumava, drogas menos ainda, namorei sempre caras legais... a filha perfeita por fora, mas vazia por dentro. 
Durante muitos anos eu me concentrei nesse vazio, nessa falta, na negligência da minha mãe, nas consequências - terríveis - disso tudo. Coisas que até hoje eu carrego. E toda minha vida foi baseada nessa sensação de desamparo, de não ter alguém para cuidar de mim... e ao mesmo tempo com carinho... difícil mesmo de explicar, eu sei.
Alguns anos de vida, de terapia e de experiências... hoje me vejo querendo ser mãe. E o que isso muda ? Muda tudo, mas não sei como.
Hoje eu sou mais eu que a filha da minha mãe, hoje consigo ver que tudo que eu passei me fizeram ser quem sou, para o bem e pra o que não gosto, e o saldo no fim das contas é positivo... 
Sei que minha mãe me ama, me ama do jeito dela e me ama como sou, e isso basta.
Ainda tenho medo de ser mãe, muitos medos... mas isso será assunto para outro post! 
Essa apresentação já está grande demais...
Falei, falei, falei e chego ao mesmo lugar, minha mãe é minha maior inspiração e meu maior medo... com base nela eu sei o que quero ser e o que não... estranhamente simples assim.
A filha da minha mãe e ela!

Minha mãe, meu amor...
 PS. Não estranhe se alguma vez eu me referir a minha mãe como TIA. É que eu e minha irmã a chamamos assim: Tia! kkkk! Vai entender....


O livro que falei no início!


E muito prazer, sejam todas bem vindas ao Barriguda!
Beijos
Ludmila

14 comentários:

Nise disse...

Gostei mto...
Tive uma infancia normal,com minha mae sempre por perto cuidando e se dedicando aos filhos em tudo...ma eu tbm custei um pouco pra me encontrar como mulher independente e nao apenas como a filha que fazia de tudo pra agradar a mae
Acho que este encontro com o nosso "eu" é mais normal do que imaginamos,ne

bjo

Daniela disse...

gostei mto do seu post, me identifiquei mto em algumas partes...
que bom que apesar de coisas bem chatas que aconteceram na sua vida, hj vc ta casada, formada... que bom que vc teve força pra lidar com todas essas coisas, existem pessoas que infelizmente nao conseguem.
acho que o que vc passou na sua infancia vai te tornar uma ótima mãe, pois vc sabe exatamente o q nao fazer, o que nao ser...

beijos!

Sara Ferreira Simões disse...

Lud eu amei sua postagem e pode continuar falando sobre isso sim!
Me emocionei em algumas partes até... E sinceramente vc é uma guerreira, um exemplo de força que superou tudo! Só disso já sei a grande mãe que vc vai ser.

Bjs

http://chegouaminhavezdecasar.blogspot.com.br/

Tati disse...

Linda, é muito legal ver você falando dos seus sentimentos assim tão abertamente aqui.

Olha, a sua história tinha tudo para dar errado, por causa desses problemas que vc passou, mas mesmo assim você se tornou uma pessoa do bem, responsável, batalhadora e isso te faz uma guerreira, Uma pessoa que inspira muito a gente e com quem temos muito o que aprender. Fico até emocionada por isso, pois nós temos o costume de nos deixar abater por coisas mínimas e não imaginamos que tem alguém que mesmo passando por tantas dificuldades é uma pessoa boa e de caráter.
Tenho certeza absoluta que vc será uma mãe exemplar e não deixará com que seus filhos tenham esse sentimento que vc teve e ainda tem. Não tenha medo de colocá-los no mundo, pois Deus te dará capacidade suficiente para dar a eles todo o amor que existe dentro de vc, e isso bastará pra eles.
Te admiro muito mesmo viu.

Bjos
Seremos Um

Luh disse...

Esse seu post,é uma reflexão,para todas nós.

Mais que linda a sua relação com ela Lud,que bom que vc não a rejeitou,como muitos filhos fazem!

Bjs

Náthali Nunes disse...

Cadê o link do barriguda?
Linda a sua compreensão com a sua mãe!

Iara Priscila disse...

Amiga, que post bacana viu! Eu gostei muito, gostei de conhecer mais sobre você, e ver que apesar de todas essas coisas tudo ficou bem no final! Você e sua mãe são lindas!
E olha, você é uma guerreira viu, e sou fã! =)

beijo Lud
amandocasandoedecorando.blogspot.com.br

Aline Maia disse...

Meninaaa que história impactante.

Não sei nem o que comentar.

Não consigo nem imaginar como foi sua infância. E essa relação com sua mãe deve ser um dualismo muito complexo.

Parabéns por apesar de tudo ter seguido o caminho do bem!

Beijão

http://royalweddingbr.blogspot.com.br/

Fernanda Mouta disse...

Lud me emocionei várias vezes lendo sua história, sei nem o que dizer!
Graças a Deus mesmo diante disso tudo vc cresceu e se tornou a mulher linda por fora e principalmente por dentro q é hoje e possui um grande amor e adimiração pela sua mãe!
tenho certeza que serás uma mãe maravilhosa!


bjs


fernandamouta.blogspot.com

PollyAry Casamento BH disse...

=O
Meu primeiro post... e acho q de todos os meus posts o primeiro q sera inesquecivel...
POLLY, vc quis dizer COMENTÁRIO... não sei se vc ja percebeu... se não, na ultima linha deste vai ver q se trata de um poste não um comentário... eu brinco muito q não comento eu posto mesmo,,, invasiva? sim! ja me sinto amiga e escrevo,,,, escrevo muito....
e eu não sigo: PERSIGO... não por obrigação tipo: "oi flor, q lindo seu blog, já to te seguindo. Vai la no meu tbm..." eu sigo pq eu GOSTO MESMO... meu objetivo aki não é ter seguidores.. é ter amigas... e ja me sinto sua!!! =)
Mega, super, hiper, são palavras q já uso no dia a dias DAZAMIGAZ.... e acho q essas palavras não se encaixam para seu texto: É POUCO USAR MEGA, SUPER, HIPER... PQ EU ADOREI DE VERDADE,,
Seu jeito de escrever... sua conversa profunda... seu livro aberto para mais q as leitoras,,,, para nós... pq muitos escrever,,, mas poucos conversam... =)
Estaria eu já te assustando com esse comempost??? Sei lá... mas sou assim, verdadeira, falo pakas... e sincera... pq ter blog é muito bom, obrigada,,, mas fazer amigas,,,, não tem preço!!!
Um grande beijo... e deixa eu me inteirar do seu mundo... ;)

Jéssica disse...

Olá Lud, vi que vc visitou meu blog fiquei curiosa e vim te conhecer um pouqinho, li sua historia lindaaaa =)
estarei te acompanhando
fica com Deus
bjoo
http://jessicaegregory.blogspot.com.br/

Marta Helena ღ * disse...


Chris Santos disse...

Oi Lud!!! Que post bacana esse seu. E eu como sempre me identificando com suas histórias de vida. Não é igual, mas algumas coisas se parecem. Tive um pai alcoólatra minha infância inteira. Tínhamos uma vida bem bacana, e por conta do álcool, perdemos tudo. Meus pais se separaram, e minha mãe q passou a beber sempre, virou alcoólatra tbm, mas passou. Hoje ela ainda bebe muito, mas aos fins de semana. Nem vou me estender aqui na conversa, pq minha história com minha mãe tbm é complicada e grande, mas a amo. Olha, pode ter certeza de que tudo o q passamos foi fundamental para sermos quem somos hoje. Então, querida, vc será sim uma mãe fantástica. E com certeza seu baby terá muito orgulho de vc.
Beijinho. ;)

Suzana disse...

Lud que lindo, tm tive uma relação meio confusa com a minha mãe. Não como a sua, minha mãe sempre foi presente, sempre nos colocou na frente de tudo, mas eu sempre fui mais puxa-saco do meu pai, e um pouco distante dela, nunca fomos amigas como eu via minhas amigas com suas mães... agora somos mais, porém não como eu sonhava, não como eu quero ser com o meu bebê.

Vou te acompanhar no barriguda tbm. Beijos

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